Projeto Sanear realiza capacitação de agricultores na região
geral, extensão
Nessa segunda-feira (6), foi realizado um workshop com agricultores e técnicos ambientais do município de Rancho Alegre do Oeste, bem como com representantes da Regional de Saúde de Campo Mourão, por meio do Projeto Sanear.
A atividade ocorreu em parceria com a Prefeitura Municipal de Rancho Alegre D’Oeste e reuniu mais de 20 participantes, entre produtores rurais, técnicos ambientais, docentes e acadêmicos do curso de Geografia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Campo Mourão.
O projeto Sanear, coordenado por docentes do Colegiado de Geografia da instituição, tem como objetivo atuar na proteção de nascentes em propriedades rurais dos 25 municípios que pertencem à Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), contribuindo para a melhoria da qualidade da água consumida pelas comunidades agrícolas da região.
De acordo com um dos coordenadores da iniciativa, prof. Dr. Jefferson Crispim, as ações de recuperação e proteção de nascentes são desenvolvidas por meio da técnica do solo-cimento, amplamente difundida no Paraná, porém com adaptações metodológicas que conferem diferenciais em relação a iniciativas similares em âmbito estadual e nacional.
Considerando a crescente demanda por soluções de saneamento e as limitações operacionais para atendimento integral, a equipe desenvolveu o denominado Kit Sanear, com o objetivo de otimizar as atividades em campo. O kit é acompanhado por um tutorial on-line, elaborado pelos bolsistas do projeto e disponibilizado aos agricultores, sendo posteriormente distribuído aos municípios.
O equipamento consiste em um tubo de PVC com diâmetro de 200 mm e comprimento de 0,50 m, com peso aproximado de 4 kg. Possui uma saída composta por tubo de PVC de 25 mm e 20 cm de comprimento, destinado ao abastecimento residencial, além de um tubo de 50 mm por 20 cm, que atua como extravasor (ladrão). Inclui, ainda, uma trava transversal em PVC de 25 mm e 0,40 m, cuja função é evitar o deslocamento da tubulação.
O modelo permite o desengate da tampa frontal (CAP) para remoção de raízes que eventualmente se desenvolvem no interior da estrutura, prevenindo obstruções – aspecto que representa um diferencial em relação a outros sistemas convencionais.
Durante as atividades, um técnico da 11ª Regional de Saúde realiza o cadastramento das nascentes e a coleta de amostras de água para análises microbiológicas, com o objetivo de identificar a presença de contaminantes. Após um período de 60 dias, é realizada nova coleta para fins comparativos e, quando necessário, são fornecidas orientações técnicas aos agricultores para a redução de patógenos.
Em parceria com o Laboratório de Pesquisa em Microplásticos (LAPEMI), coordenado pelo prof. Dr. Mauro Parolin, da Unespar, campus de Campo Mourão, também são coletadas amostras de água para análise da presença de microplásticos. Essa iniciativa amplia o escopo do projeto, considerando a crescente preocupação com a contaminação de corpos hídricos e sua possível ocorrência em nascentes da região da Comcam.
Ao final do workshop, os agricultores participaram de atividades práticas de capacitação, incluindo a proteção de duas nascentes, além de receberem kits para instalação posterior em suas propriedades.
Segundo o professor Jefferson, a aplicação da técnica de solo-cimento tem contribuído significativamente para o controle de processos erosivos e para a prevenção do soterramento de nascentes, especialmente em períodos de maior intensidade pluviométrica.
Relatos dos participantes também indicam que as ações desenvolvidas desempenham um papel relevante na difusão do conhecimento, sobretudo entre agricultores que não tiveram amplo acesso à educação formal, evidenciando a importância da extensão universitária na articulação entre saber científico e realidade local.
