Você está aqui: Página Inicial > Notícias > III SIPEC: encerramento do evento aconteceu na última quinta-feira (10), após quatro dias de atividades intensivas

III SIPEC: encerramento do evento aconteceu na última quinta-feira (10), após quatro dias de atividades intensivas

Pesquisa, Extensão

publicado: 13/11/2022 16h15 última modificação: 29/02/2024 14h53

Desde a última segunda-feira, dia 07 de novembro de 2022, a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) realizou a terceira edição do Seminário de Integração: Pesquisa, Extensão, Cultura e Inovação Tecnológica (SIPEC), que congrega o VIII Encontro Anual de Iniciação Científica (EAIC); o V Encontro Anual de Extensão e Cultura (EAEX); e o III Encontro Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (EAITI). 

A abertura das atividades aconteceu por meio da apresentação musical da Big Belas Band, da Unespr, campus Curitiba I - Embap, seguida da conferência intitulada "Pesquisa, extensão, cultura, inovação e tecnologia: experiência, conexões e descobertas", conduzida pelo doutor em Epidemiologia no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e ex-reitor da Universidade, professor Naomar Monteiro de Almeida Filho, que promoveu a exposição de um diagrama do sistema de educação brasileiro, com enfoque em estrutura e trajetórias, e destacou o papel das universidades no desenvolvimento social e na educação pública e gratuita. O evento contou com mediação do Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unespar, doutor em Ciências Farmacêuticas, professor Carlos Alexandre Molena Fernandes. O professor Carlos, que tem atuado em áreas como Saúde Coletiva e Epidemiologia, além de mediar as perguntas dos espectadores ao conferencista, também reforçou a importância dos dados e apontamentos apresentados pelo professor Naomar, e compartilhou o fato de fazer uso de obras do mesmo há mais de dez anos, no arcabouço teórico das disciplinas que ministra em sala de aula. O pró-reitor ainda destacou que também participou de programa de iniciação científica na época de sua graduação, e completou que a oportunidade de ter uma bolsa mudou completamente os rumos de seu trabalho, uma vez que isso facilitou o desenvolvimento de suas atividades. 

Também estiveram presentes na Conferência: Dra. Salete Paulina Machado Sirino; Representante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Dra. Betina Stefanello Lima, da Coordenação de Programas Acadêmicos; Coordenador de Ciência e Tecnologia da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), Dr. Marcos Aurélio Pelegrina; Gerente de Projetos da Fundação Araucária, Dr. Nilceu Jacob Deitos; Pró-Reitora de Extensão e Cultura da Unespar, Dra. Rosimeiri Darc Cardoso.

CONFERÊNCIA DE ABERTURA (CLIQUE AQUI)

Ao todo, foram realizados seis períodos de comunicação de trabalhos, em 47 salas, com apresentação de 278 trabalhos de pesquisa e 93 trabalhos de extensão. Além dessas, foram promovidas atividades como o Minicurso: Escrita acadêmica, ministrado pelo Prof. Dr. José Ribamar Lopes Batista Júnior, da Universidade Federal do Piauí (UFPI); e o Minicurso: Estratégias para Elaboração de Projetos e Relatórios de Pesquisa e Extensão, ministrado pela Prof. Dra. Silvana Rodrigues Quintilhano, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Londrina (PR). O evento, que aconteceu de forma remota, teve fim na noite de quinta-feira (10) e contou com premiação de pesquisas, por meio do Certificação Destaque Institucional PIBIC/CNPq, além de apresentação cultural do  Encontro de Choro e Projeto MusicaR da Unespar.

ENCERRAMENTO DO SIPEC (CLIQUE AQUI)

CONFIRA OS/PREMIADOS (CLIQUE AQUI)

De acordo com a professora Rosimeiri: "a realização do III SIPEC veio confirmar a consolidação da Unespar no desenvolvimento de Projetos de Extensão e de Cultura. As apresentações dos trabalhos evidenciaram a preocupação dos executores em dialogar com a sociedade e, desta maneira, atender plenamente o que se entende por extensão. Além disso, é importante mencionar o destaque que o Conferencista, Prof. Dr. Naomar Monteiro de Almeida Filho (UFBA) apresentou em relação ao potencial da extensão, aliada à cultura, tecnologia e inovação para o avanço da Universidade"; e destacou que: "o excelente nível das apresentações culturais trazidas na abertura e no encerramento é fruto de projetos de extensão desenvolvidos na Universidade".
 


Docentes e discentes do Campus de Campo Mourão ganham destaque no Sipec


Discussões sobre questões de gênero na pesquisa científica

A Dra. Wilma dos Santos Coqueiro, do Colegiado de Letras, que nesse período de 2021 a 2022 orientou dois projetos que têm como foco a reflexão acerca de temáticas sociais relevantes que comparecem na ficção de autoria feminina contemporânea, avalia que o SIPEC é de suma importância como forma de disseminar e socializar pesquisas que versem sobre diversos temas inerentes à contemporaneidade, entre docentes e acadêmicos de diferentes áreas do conhecimento. De acordo com a docente, ao assistir as apresentações de seus orientandos e observar o evento, constantou que o mesmo permite uma aproximação interdisciplinar de áreas diferentes e uma maior noção aos acadêmicos de que os conteúdos não podem mais serem concebidos de forma fragmentada.

Assim, o projeto intitulado “Suíte de silêncios: Amor, erotismo e desamparo no romance de Marília Arnaud”, desenvolvido pelo acadêmico do curso de História, Yuri Juan de Oliveira, com apoio de bolsa CNPq, mobilizou conhecimentos de áreas diversas, tais como: Crítica Literária, Linguística, História, Sociologia e Psicanálise, tendo em vista que se buscou analisar a condição feminina a partir do estudo do silêncio e do silenciamento nas relações afetivas pós-modernas, marcadas pela efemeridade e fragilidade dos laços de afeto. De acordo com Yuri, que apresentou seu trabalho juntamente com outros bolsistas na presença de avaliadores do CNPq: “O Projeto de Iniciação Científica me proporcionou acesso a uma modalidade de conhecimento imersiva, por meio da qual tive liberdade para entender teorias e ideias que perpassam a pesquisa e o meio social em que me encontro. Além de começar a me inserir no meio científico com pesquisa em literatura, percebi uma melhora significativa na minha interpretação de conteúdo do aporte teórico. O aprendizado que obtive com base na pesquisa e apoio da orientadora nesse processo serviu como uma porta de entrada e, com toda certeza, esse conhecimento me acompanhará ao longo da jornada de estudos, seja como pesquisador ou docente”.

Outro projeto, orientado pela docente e coorientado pela também docente do colegiado de Letras, Dra. Adriana Mendes Polato, que, em sua avaliação, trouxe reflexões fecundas acerca do momento atual foi “Feminicídio, realismo brutal e relações dialógicas em Mulheres Empilhadas, de Patrícia Melo”, desenvolvido pela acadêmica do 4º ano do curso de Letras, Carolina Casarin Paes, e apresentada em uma seção no dia 10 de novembro, cujos trabalhos de áreas diversas tinham em comum o fato de abordarem, por diferentes perspectivas, a violência de gênero. A pesquisa teve como foco a análise, a partir do escopo teórico interdisciplinar que coaduna teorias oriundas dos Estudos Culturais, da Crítica Feminista e dos estudos do Círculo de Bakhtin, do romance publicado por Melo em 2019, que traz uma denúncia contundente dos casos de feminicídio no Brasil, assim como da sensação geral de impunidade dos assassinos.

De acordo com Carolina, a originalidade da obra da autora reflete na estrutura fragmentada da obra composta por excertos de notícias, manchetes, pesquisas em sites de Internet e fragmentos de mensagens e e-mails em que sobressaem, assim, a voz autoral da autora ao formar um grande mosaico de múltiplas identidades femininas e suas mortes trágicas. Na avaliação da pesquisadora: “os projetos de iniciação científica são essenciais para os acadêmicos que desejam seguir carreira científica, porque estimulam a pesquisa, a leitura e a síntese de ideias. Além disso, os temas propostos são bastante atuais, e a Literatura nos oferece uma chave de análise muito rica, porque fala sobre realidades (conhecidas ou não) e sobre discursos sociais que estão presentes no nosso dia a dia; por exemplo, com a professora Wilma já pesquisei sobre animalização humana e trabalho precário, nas obras de Ana Paula Maia, e atualmente estudo feminicídio e violência contra a mulher, na obra de Patrícia Melo. Ler mulheres brasileiras contemporâneas é um exercício riquíssimo de compreensão e sensibilização sobre a realidade do nosso país e das nossas cidadãs”.

Diálogos acerca de projetos extensionistas

Projetos extensionistas e culturais também tiveram destaque no evento. Foram apresentados trabalhos como o Centro de Apoio ao Idoso (CADI), Cine-Educação e o II Festival de Cinema: História, Memória e Experiências de Vida.
Há sete anos, o projeto de extensão Empreendedorismo social: a gestão do Centro de Apoio de Desenvolvimento dos Idosos (CADI)”, fruto do trabalho de iniciação científica coordenado pela Dra. Yeda Maria Pereira Pavão, docente do colegiado de Administração, foi criado na Unespar, campus de Campo Mourão. Inicialmente, o foco principal era desenvolver empreendedorismo com pessoas idosas. Entretanto, ao longo do tempo outras atividades sociais também foram incluídas. Desde então, o projeto vem atendendo aproximadamente vinte (20) mulheres, com idades que variam entre 60 e 90 anos. Contudo, em 2020, devido à pandemia de Covid-19 houve um impacto significativo nas atividades do grupo. No ano de 2022, após a crescente mudança no cenário nacional, no que diz respeito à saúde pública, essas atividades retornam à modalidade presencial.

De acordo com a docente do curso de Administração e orientadora do projeto inicial, Dra. Yeda Maria Pavão: "a partir das apresentações realizadas na seção que participamos, pôde-se perceber a relevância da pesquisa extensionista na academia, principalmente quando observamos as considerações apresentadas, bem como a receptividade das pessoas da sociedade envolvidas nas respectivas temáticas. Cada vez mais, há que se destacar a necessidade inclusiva de temáticas que venham de encontro às distintas pessoas que estão em nosso universo de pesquisa, fazendo da ciência a prática e a operacionalização do cumprimento do nosso papel enquanto transformadores do saber e aprender". A professora, que se aposentou em julho deste ano, continua como voluntária no projeto CADI. No SIPEC, a professora Yeda também intermediou a participação de dona Gessi, mulher idosa de 90 anos integrante do projeto. 

"A turma toda participou da produção amadora de cinco vídeos a partir de objetos geradores. De cada grupo, um estudante participou no Sipec, por causa do limite de autores no trabalho. Do âmbito da extensão universitária, ainda que tenhamos muito a trilhar, ressalto a importância dos trabalhos apresentados no sentido de um aprendizado mútuo, de ideias criativas e inovadoras  entre universidade e comunidade. Foi muito importante a presença dos(as) estudantes e de membros da comunidade nas apresentações do III Sipec, assumindo protagonismo no espaço universitário", ressalta a pesquisadora Dra. Divania Luiza Rodrigues. A docente, que faz parte do corpo docente do colegiado de Pedagogia e orinetadora do do Festival, é co-criadora do projeto Educação, planejamento e Arte: interseções necessárias na formação de estudantes de Pedagogia e das idosas do Centro de Apoio de Desenvolvimento dos Idosos (CADI) juntamente com a Dra. Lucimar da Luz Leite e a Dra. Wanessa Gorri de Oliveira, como parte integrante das atividades de extensão previstas nas disciplinas de “Planejamento e Avaliação” e de “Fundamentos Teórico-Metodológicos no Ensino da Arte, Cultura Corporal e Movimento”, da grade curricular do 4º ano do curso; e co-criadora do projeto Cine-Educação: olhares voltados para a formação docente,  novamente junto com a professora Wanessa, e o Dr. Rafael Tonet Maccagnan. 

"O projeto SIPEC oportuniza aos acadêmicos (as) aproximação com os projetos que são desenvolvidos nos mais diversos segmentos, bem como aperfeiçoamento das metodologias que são ensinadas ao longo da formação acadêmica", reforça a acadêmica Juliana Silva Rodrigues dos Santos. Ainda, de acordo com o acadêmico Samuel Figueiredo, "a participação no II Festival de Cinema foi de extrema importância para a validação das teorias adquiridas em sala de aula. O objeto gerador, que nos serviu de intermediador entre histórias particulares e histórias do mundo, foi o ponto de partida para o protagonismo dos estudantes e de seus familiares. Meus sinceros agradecimentos à professora Divania, que nos auxiliou à enxergar a importância da individualidade no coletivo, a enxergar que a História da humanidade se faz a partir de histórias individuais". Ambos os pesquisadores são discentes do 3° ano de Pedagogia-diurno.
 
Avaliação do Centro de Educação de Ciências Humanas e da Educação 

Centro de Educação de Ciências Humanas e da Educação (CCHE) da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Campo Mourão é responsável pela gestão dos cursos de graduação em Letras, História, Geografia, Matemática e Pedagogia, e atualmente é dirigido pelo docente do colegiado de Matemática, Dr. João Henrique Lorin, até o ano de 2023.

"É essencial parabenizarmos a Unespar, as pró-reitorias envolvidas e a equipe organizadora do evento pela realização do  III SIPEC, que propiciou uma experiência de troca de conhecimentos, por meio de apresentações dos resultados de pesquisa e extensão realizados pelos estudantes da Unespar. Por meio dessa experiência de intercodificação subjetiva que os espaços de apresentação promovem, é que percebemos como nossos trabalhos são compreendidos pelos pares, o que permite cada vez mais afiar nosso bisturi crítico", ressalta o diretor, que orientou a pesquisa intitulada "Visões distorcidas em relação à Matemática", da acadêmica Soriane da Silva de Paula.



Por: Milleni Bezerra Moreira - Assessoria de Comunicação, campus de Campo Mourão (comunicacao.campomourao@unespar.edu.br)