CADI transforma mural da Unespar durante o 3º Festar, sob coordenação de docente de Artes Visuais
Entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, o Centro de Apoio e Desenvolvimento do Idoso (CADI) deu vida a uma parede dentro da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Campo Mourão. Além de marcar o início das atividades do 3º Festival de Arte e Cultura da Unespar (Festar), a pintura expõe a relevância social do CADI dentro do ambiente universitário.
A proposta artística de muralismo do grupo foi selecionada por meio do Edital nº. 074/2026 – PROEC Expressões Plurais: Muralismo, Grafite e Cultura Universitária. Durante a programação, a concepção e a execução do trabalho foram coordenadas pela profa. Dra. Iriana Nunes Vezzani, do curso de Artes Visuais da Unespar, campus de Curitiba II – FAP.
O CADI, projeto de extensão da Unespar com mais de 10 anos, visa oferecer novas oportunidades de acesso ao estudo, à cultura, ao bem-estar e a socialização para a pessoa idosa. Por isso, as cerca de 30 integrantes atuais se envolveram na elaboração da proposta, com participação, ainda, de bolsistas do programa e da coordenadora, profa. Dra. Divania Luiza Rodrigues, além da professora Iriana, que esteve presente em toda a execução do mural.
Segundo a professora que coordenou a manifestação artística, o processo de concepção do mural teve início a partir das produções em crochê feitas pelas participantes do Centro de Apoio ao longo de anos. Os artefatos artesanais, que até então estavam encaixotados, foram estendidos pelas mesas e formaram a base para criar uma arte que referencia uma receita de crochê.
A obra possui um visual chamativo, com cores vibrantes e ilustrações de pássaros e peixes, trazendo ainda mais personalidade ao espaço. Para além do aspecto estético, ela chama atenção também para a arte do crochê em si, que, muitas vezes, é esquecida ou desconhecida pelo público geral. “O crochê e o tricô são uma língua escrita, mas uma língua que está em extinção”, refletiu a professora Iriana, reforçando que ela precisa ser resgatada e “mantida viva”.
A idealização da arte envolveu também a exposição e ressignificação das peças produzidas pelo CADI. Tapetes tornaram-se sobrecalças, toucas transformaram-se em porta-novelos, e todas essas obras passaram a ocupar espaço na exposição de arte do FESTAR, ganhando visibilidade fora das caixas em que se encontravam anteriormente. “A ideia é dar uso a essas peças para além do trilho de mesa”, completou Iriana.
Ainda conforme a professora, a experimentação e exibição das peças artesanais fizeram com que o projeto artístico, iniciado com o objetivo de preencher uma parede da universidade, se transformasse em uma experiência de aprendizagem e enaltecimento da produção do CADI. “A ideia é que elas [participantes do CADI] se sintam valorizadas e que também os alunos saibam dessa produção”, informou a docente.
Ao enaltecer o trabalho das mulheres do projeto extensionista, o mural ganhou, ainda, grande valor sentimental para as pessoas envolvidas. De acordo com a coordenadora do CADI, a realização desse projeto transcendeu seu propósito original e se tornou significativo ao se relacionar com a trajetória do Centro de Apoio.
“O mural tem muito a ver com a história das mulheres do projeto, com as nossas histórias; com a gente sair de um lugar comum e de transbordar mesmo essa alegria, esse amor, esse colorido. Eu fico muito feliz de ver que a universidade, a extensão universitária, vem proporcionando isso”, explicitou a professora Divania.
Também manifestou comoção com o mural a professora aposentada Yeda Maria Pavão. Além de ter iniciado os estudos a respeito de atendimento às pessoas idosas em 2015 e fundado o CADI, em 2017, juntamente com Jéssica Rodrigues – na época, estudante do curso de Administração, por meio de um projeto de Iniciação Científica relacionado à disciplina de Empreendedorismo Social –, a mãe da docente, falecida recentemente, foi uma das pioneiras do programa.
Por essa razão e pela passagem de tantas participantes ao longo desses anos, o projeto obtém uma camada ainda mais sensível, não apenas ao homenagear a atividade da iniciativa extensionista, mas também ao conservar a memória de todas as mulheres que fazem ou fizeram parte do programa.
A professora Yeda ressaltou a importância da visibilidade que o centro vem recebendo dentro da instituição. “Só de ver aquele trabalho sendo representado numa projeção na parede, em uma arte de uma professora, eu também me senti emocionada e comovida, porque é uma tradução de um trabalho que não pode ser esquecido. O trabalho do CADI é uma arte. O trabalho do CADI deve sim ser projetado dentro da universidade, para que todos o conheçam, ele tem que ser visto”, pontuou a fundadora do projeto.
Por ter sido realizada durante o 3º Festar – um festival itinerante dedicado ao incentivo e à valorização da produção artístico-cultural universitária em todas as suas formas – a pintura ganha uma representação ainda mais significativa da história e das ações desenvolvidas pelo CADI dentro da Universidade, bem como evidencia a sua relevância social.
Além dessa iniciativa, a programação do evento dispôs de workshops, exposições de artes plásticas, apresentações musicais e teatrais, entre muitas outras manifestações artísticas e culturais organizadas e realizadas pela própria comunidade acadêmica dos sete campi da Unespar, com o objetivo de atingir também o público externo.
