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Pesquisador da Unespar realiza visita técnica ao Vaticano; saiba mais

Pesquisa

Recentemente, três docentes da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Campo Mourão realizaram visitas técnicas ao exterior: dois deles à América do Sul, nos países Argentina e Chile; e um deles à Europa, na Itália. 

Os pesquisadores realizaram suas visitas técnicas apoiados pelo auxílio financeiro viabilizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) e o Escritório de Relações Internacionais (ERI), a partir da publicação do Edital nº 001/2022, e a divulgação do resultado final por intermédio do Edital nº 004/2022, em meados de agosto do ano vigente. A ação foi promovida com o intuito de fortalecer o processo de internacionalização da Unespar, incentivando e promovendo melhores condições para que esses docentes pudessem realizar suas atividades de pesquisas fora do Brasil.

Vale ressaltar que, Visitas Técnicas são "viagens realizadas com o objetivo de estreitar laços com instituições, docentes e discentes estrangeiros para fins de conhecimento de práticas, processos, ações, trâmites, estruturas, pesquisas, entre outras atividades que possam ser de interesse comum entre os(as) docentes e as instituições envolvidas".

Os recursos disponibilizados para a ação somaram o valor de R$50.000,00, provenientes da própria Instituição, sendo que cada docente dispôs de apoio com o teto máximo de R$10.000,00. O processo foi mediado pela a Central de Viagens da Pró-Reitoria de Administração e Finanças (PRAF). Como critério de seleção, além do preenchimento de formulários protocolares, foram observados: um memorando contendo as razões e justificativas; a condição de permanência do docente nos programas de pós-graduação da Unespar; a ausência de pendências com a Unespar e com a PRPPG. O período datado para a realização das visitas foi de 15 de agosto de 2022 à 31 de dezembro de 2022 (ou enquanto durasse o recurso em questão).

ACESSE O EDITAL 001/2022 (CLIQUE AQUI)

ACESSE O EDITAL 004/2002 (CLIQUE AQUI)

Segundo as considerações do Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unespar, Dr. Carlos Alexandre Molena Fernandes: “ao todo, seis docentes da Unespar foram contemplados no edital que foi viabilizado pela PRPPG, em parceria com o ERI, para fazer visitas técnicas em diferentes instituições, com o objetivo de promover um intercâmbio de experiências e melhorar as práticas na universidade. O edital financiado pela própria Unespar teve como objetivo buscar a inter-relação entre as IES, conforme previsto no PDI. Nesse sentido, esta ação fortalece o processo de internacionalização de nossos cursos de mestrado, uma vez que os resultados dos estudos realizados pelos pesquisadores agregam conhecimento à vida universitária, não só nos campos teórico e prático, mas possibilitam conhecer outros aspectos daquela realidade visitada, o campo socio-econômico-cultural.


Dr. Frank Antonio Mezzomo

O professor Frank Antonio Mezzomo esteve no Arquivo Histórico da Secretaria de Estado e no Arquivo Apostólico do Vaticano, dentro do Vaticano, na Itália. O docente, que atua nos programas de Mestrado Profissional em História (ProfHistória), em Sociedade e Desenvolvimento (PPGSeD) e História Pública (PPGHP), integra os três programas desde a criação, sendo o mais antigo o primeiro mencionado, criado em 2014.

Em relação ao PPGSeD, de acordo com o docente: "estar em um programa que dialoga com variadas áreas do conhecimento induz o pesquisador a perceber que há outras perspectivas e maneiras de se ver a sociedade, as pessoas e o mundo de forma geral [...] a partir de outras lentes de captação da realidade."

Em relação aos outros dois programas de História, o docente frisa que, por atuar na área, integrar o corpo docente de ambos é praticamente automático, ao mesmo tempo que é extremamente satisfatório. Menciona que no ProfHistória e a interface mais imediata é com a formação de professores, fazendo com que esses profissionais (re)pensem as suas metodologias de ensino antenada com as dinâmicas da atualidade. Já o PPGHP, programa mais recente dos três mencionados, destaca que as considerações não são diferentes, uma vez que "quando se pensa em História Pública, pode-se ter a ideia de coisas antigas, distantes e corroídas pelo tempo, um pensamento que remonta à antiguidade, a dinâmicas do passado. Pelo contrário, a História Pública, pensa na integração de novas linguagens tendo presente a produção de conhecimento acessível a outros públicos [...] uma História que toca a constituição da nossa identidade, de nossos povos."

"São três programas que possuem suas especificidades e ao mesmo tempo têm suas conexões. Em um dos grupos de pesquisa, tenho trabalhado a temática da biografia, da religião e da política, discutidas a partir da Antropologia, Sociologia e Educação. O objetivo é tentar compreender como tanto as igrejas evangélicas como a católica se constituem como uma entidade que interfere nas identidades, das culturas e das sociabilidades”. O professor Mezzomo reforça que não é um trabalho de cunho dogmático, de modo que não se busca averiguar o caráter sacro da religião, mas observar qual é o seu papel na sociedade e como dialoga com os demais entes, até mesmo o próprio poder público."

Em sintonia com estes estudos voltados para religião, o professor procura investigar a figura de Dom Eliseu Simões Mendes, que atuou como bispo no Ceará, Rio Grande do Norte e Paraná entre as décadas de 1950 a 1980. O objetivo é identificar suas ações observando o desenvolvimento, se houve inclusão social, e como dialogou com o poder público. A partir dessa investigação, pretende-se evidenciar as interlocuções feitas por esse sujeito, a partir das demandas da sociedade e dos dilemas da própria instituição a qual pertencia. Mais do que entender a biografia do bispo, o pesquisador procura entender como as demandas sociais eram vocalizadas, inibidas, potencializadas, num diálogo entre Igreja e poder público.

Em relação aos espaços que tem percorrido no Brasil, o docente relata que tem trabalhado com jornais, livros tombos, atas, fotografias, entrevistas, entre outros, identificados em arquivos públicos, câmaras municipais, prefeituras, e nas próprias igrejas. De acordo com o pesquisador: "há um material denso e amplo a ser identificado, catalogado e analisado". Também ressalta que muita documentação é produzida nas “igrejas locais, dioceses e pelas congregações religiosas que, por vezes, estão arquivadas somente nos arquivos do Vaticano. Muitas produções relevantes que envolvem a Igreja e o Estado, por vezes, polêmicas, são arquivadas nesses arquivos eclesiásticos". O docente ainda acrescenta que o Vaticano também faz consulta às igrejas para saber como está o funcionamento da política nacional, que subsidiam essas informações.

O "Arquivo Secreto" como era conhecido anteriormente, teve sua nomenclatura modificada pelo Papa Francisco, afim de romper com o misticismo de que se trata de um conteúdo de acesso proibido. De acordo com Mezzomo, "é um arquivo histórico que possui suas regras, a Igreja produziu essa documentação e tem um certo cuidado com a preservação. Para acessá-lo é preciso que se cumpra uma série de protocolos por parte de interessados e pesquisadores".

Além do trabalho de pesquisa realizado nos dois arquivos do Vaticano, o docente relata que visitou a Universidade Roma Tre, uma das três universidades públicas de Roma; Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG) e a Universidade Jesuítica da Igreja Católica, para encontros com pesquisadores e diálogos acerca do desenvolvimento de pesquisas no entorno. Visitou as bibliotecas dessas instituições, além da biblioteca do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, na qual há um dos maiores acervos do mundo sobre o Brasil.

“A viagem para Itália também foi uma oportunidade de visitar igrejas históricas, parques arqueológicos e museus [...] vivenciar a rotina de Roma, Nápoles e Florença foi extraordinário, afinal é uma oportunidade para conhecer estas cidades que se constituíram em verdadeiros patrimônios material e imaterial da humanidade. Ali temos acesso aos grandes marcos da renascença e do desenvolvimento da modernidade”, frisa o pesquisador.

Sobre o processo de internacionalização da Unespar, o docente ainda ressalta que esse é um movimento de saída do casulo para dialogar com outras instituições, e "um processo estimulado pelos órgãos de fomento e que implica, em um primeiro momento, sair dos próprios limites físicos para compartilhar trabalhos, metodologias e absorver outras experiências de investigação”. A vivência no exterior, antecipa o docente, ocorreu depois de seu pós-doutorado sanduíche realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na Universidade Complutense, em Madri, entre 2021 e 2022. "Agora, no Vaticano, a experiência parece ter sido marcante, afinal, com a internacionalização tive acesso a documentos inéditos que permitirão o impulso na pesquisa [...] compreender as relações históricas entre religião católica e Estado, no Brasil, significa problematizar as culturas e sociabilidades brasileiras”.

 

Sobre o pesquisador

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste); Mestrado e Doutorado em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professor Associado na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), atuando nos Programas de Pós-Graduação Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento, História Pública e Mestrado Profissional em Ensino de História. Exerceu funções administrativas como Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, coordenador do PPG Interdisciplinar, coordenação institucional do PIBIC/CNPq. Compõe o Comitê Assessor de Ciências Humanas da Fundação Araucária desde 2014, atuando como coordenador da área na gestão 2020/2024. Editor da Revista NUPEM, líder do Grupo de Pesquisa Cultura e Relações de Poder. Desenvolve pesquisas com as temáticas de religião, política, (auto)biografia, cultura e sociedade, em diálogos com a Antropologia, Sociologia e História.

 

 

Por: Milleni Bezerra Moreira - Assessoria de Comunicação (comunicacao.campomourao@unespar.edu.br)