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“Encerramos um longo período de descaso e de desvalorização da pesquisa científica e de desenvolvimento científico e tecnológico do país”, destaca Luciana Santos em cerimônia de anúncio da nova presidência do CNPq

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por Milleni Bezerra Moreira publicado: 18/01/2023 12h41 última modificação: 18/01/2023 13h00
"Hoje nós somos o berço de alguns dos nomes mais importantes da ciência mundial.”
Ricardo Galvão, em cerimônia de nomeação na sede do CNPq, 2023.

Na última terça-feira (17), no auditório do CNPq, em Brasília, aconteceu a cerimônia de anúncio da nova presidência.  Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o CNPq é a principal agência de estímulo à pesquisa científica e de formação de pesquisadores nas mais diversas áreas do conhecimento, com mais de 80 mil bolsistas em universidades e institutos do país e no exterior.

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A nomeação foi anunciada pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, que escolheu o físico Ricardo Galvão. O evento, bastante prestigiado pela comunidade científica, gestores, servidores e autoridades, foi marcado por afirmações sobre o retorno do apoio à ciência no país. “Encerramos um longo período de descaso e de desvalorização da pesquisa científica e de desenvolvimento científico e tecnológico do país”, afirmou a Ministra.

Durante a cerimônia, Santos ressaltou a necessidade de a ciência e a tecnologia ocuparem posição de política de Estado. “Não é possível imaginar um projeto de nação sem nossas instituições que estão a serviço da inteligência e do conhecimento”, completou a ministra. Além disso, comunicou a recomposição integral do orçamento do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), principal instrumento público de financiamento da ciência no Brasil. A decisão põe fim aos limites impostos pela Medida Provisória Nº 1.136, de 29 de agosto de 2022, que perderá a validade no início de fevereiro.

Para o novo presidente do CNPq, Ricardo Galvão, o Brasil ainda tem muito a avançar, mas a ciência voltará a promover grandes avanços para a nossa sociedade. “Há pouco mais de um mês derrotamos a truculência negacionista em nosso país. Esta cerimônia e a indicação da professora Mercedes Bustamante para a CAPES são a comprovação de que nossa ciência sobreviveu ao cataclisma político promovido por um governo negacionista, que empreendeu um verdadeiro desmonte das políticas públicas em diversas áreas”, frisou Galvão. Também agradeceu a confiança depositada pelo Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, e pela Ministra Luciana Santos.

Galvão ainda agradeceu à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, por frisar a relevância da ciência para as atividades políticas e congratulou o ex-presidente do CNPq, Evaldo Vilela, por ter conduzido o CNPq em momento crucial. O novo presidente fez, ainda, uma deferência especial aos servidores do CNPq. “Vocês foram o sustento contra esse governo”, disse ele, referindo-se ao governo passado. Os servidores e colaboradores do CNPq também foram mencionados no pronunciamento do ex-presidente deste Conselho, professor Evaldo Vilela, que elogiou a eficiência e o comprometimento do corpo de servidores e frisou a necessidade de realização de concurso. “O CNPq hoje possui apenas um terço do número de servidores que tinha no início dos anos 2000”, pontuou.

Segundo Vilela, durante sua gestão foram realizadas muitas transformações, visando a um CNPq mais ágil. Lembrou que, apenas em 2022, a instituição gerenciou mais de 60 chamadas com aporte de recursos provenientes do FNDCT e financiou 5,5 mil projetos, além das bolsas concedidas, que, somadas às já existentes, beneficiaram 130 mil bolsistas. “Para o Brasil, ainda são números pequenos. Nós precisamos ampliar isso, mas são significativos”, salientou. Para ele, o CNPq está muito mais fortalecido para uma sociedade convencida da importância da ciência para o desenvolvimento do Brasil. “Hoje nós somos o berço de alguns dos nomes mais importantes da ciência mundial”, lembrou ele, citando a professora Mercedes Bustamante, atual presidente da CAPES, também presente à cerimônia.

O evento contou com a presença de representantes da comunidade científica e acadêmica como a presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader; o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Renato Janine; as reitoras da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Regina Goulart Almeida, além de presidentes de associações e sociedades científicas.

Foto: Roberto Hilário ACS-CNPq

Fonte: Central de Notícias CNPq

Trajetória científica do novo presidente

Foto: Roberto Hilário ACS-CNPq

Ricardo Galvão é professor titular aposentado do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em física de plasmas e fusão nuclear controlada. Ele foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) entre 2004 e 2011 e presidente da Sociedade Brasileira de Física(SBF), entre 2013 e 2016. O professor Galvão também foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 2016 a 2019, quando defendeu publicamente a correção e a lisura dos dados produzidos por aquele instituto sobre o desmatamento da Amazônia. Em 2019, o professor foi apontado pela revista Nature como o primeiro de uma lista de dez pesquisadores considerados mais relevantes para a ciência. Em 2021, o professor Galvão recebeu o Prêmio pela Liberdade e Responsabilidade Científica, concedido pela Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Posse da nova gestão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

A nova ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, assumiu o comando da pasta, em cerimônia de transmissão de cargo, em Brasília, realizada no dia 02 de janeiro de 2023. A ministra é a primeira mulher a chefiar o ministério.

No discurso, Santos destacou que vai honrar as mulheres pesquisadores do país. “Essa gestão vai honrar as milhares de mulheres que produzem e pesquisam nesse país, sua luta por respeito, inclusão e valorização. Essa gestão vai honrar a luta antirracista e a luta das pessoas negras por espaço na pós-graduação e no campo de pesquisa”, declarou.

A nova ministra reforçou que vai trabalhar para que a ciência e a tecnologia sejam pilares do desenvolvimento nacional, assumindo o compromisso de recompor o orçamento da pasta. “Trabalharemos ainda pela atualização das bolsas de pesquisa do CNPq e da Capes, essencial para o capital humano. As bolsas de pesquisa não podem ser tratadas como esmola, mas como investimento no futuro do país. Não podemos admitir a evasão de talentos”, afirmou.

Nesse caminho, Santos também destacou a importância da pesquisa brasileira e citou o Instituto Butantan e a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) como referências globais em desenvolvimento durante a pandemia da covid-19. “Essas duas instituições confirmaram a robustez e a qualidade do sistema nacional de ciência e tecnologia, cujo funcionamento depende principalmente do Estado. A maioria das pesquisas científicas desenvolvidas no país é empreendida em universidades. Ao contrário da narrativa, universidade não é lugar de balbúrdia, é lugar do conhecimento e desenvolvimento”, disse.

A ministra ainda confirmou que deve rever a liquidação da Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), estatal que produz chip eletrônicos.

Fonte: Agência Brasil

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